A série Tomb Raider, uma das franquias mais icônicas dos games, passou por uma reformulação completa nos anos 2000 e início de 2010. O que motivou esse reboot tão radical e como ele mudou a história de Lara Croft? Essa é uma pergunta que muitos fãs da era PlayStation 3 fizeram na época, e que merece uma resposta detalhada.
O Que Aconteceu com a Franquia Original
A série Tomb Raider nasceu em 1996, criada pela britânica Core Design e publicada pela Eidos Interactive. Nos primeiros anos, os jogos foram enormes sucessos de vendas e crítica, transformando Lara Croft em um ícone cultural dos anos 1996 a 2000. Tomb Raider, Tomb Raider II, Tomb Raider III, The Last Revelation e Chronicles estabeleceram a fórmula de exploração de tumbas, resolução de puzzles e ação em terceira pessoa.
Porém, a partir de Tomb Raider: The Angel of Darkness (2003), a franquia começou a perder força. O jogo foi lançado com bugs graves, controles awkward e uma narrativa confusa que decepcionou fãs e críticos. Apesar de ter vendido bem, a recepção negativa foi tão forte que a Square Enix (que havia adquirido os direitos ao comprar a Eidos) decidiu repensar completamente a direção da série.
Após The Angel of Darkness, a Core Design tentou recuperar o terreno com Legend (2006), Underworld (2008) e Anniversary (2007), que eram remakes ou reboots menores da fórmula clássica. Esses títulos tiveram recepção moderada, mas não conseguiram recuperar o brilho original. As vendas vinham caindo e a concorrência com séries como Uncharted (inspirada justamente em Tomb Raider) ficava cada vez mais acirrada.
A Decisão pelo Reboot Completo
A Crystal Dynamics, estúdio que assumiu a série a partir de Legend, foi encarregada de reinventar Tomb Raider completamente. O objetivo era mostrar a origem de Lara Croft — como uma jovem arqueóloga se transforma na lendária exploradora de tumbas que conhecemos.
O reboot de Tomb Raider, lançado em março de 2013 para PS3, Xbox 360 e PC, apresentou uma Lara Croft mais jovem e vulnerável, naufraga em uma ilha misteriosa chamada Yamatai. Diferente dos jogos anteriores onde Lara já era uma profissional experiente, aqui ela estava apenas começando sua jornada. O jogo trocou a exploração de tumbas por uma experiência de sobrevivência, com mecânicas de combate furtivo, crafting e exploração de ambientes abertos.
A mudança de tom foi drasticamente diferente. Enquanto os jogos originais tinham um ar de aventura pulp e fantasia, o reboot apresentou um tom mais sombrio e realista, com violência gráfica e situações de tensão constante. A ilha de Yamatai era hostil e perigosa, e cada encontro com os inimigos era uma situação de vida ou morte.
A Recepção e o Impacto
O reboot foi um sucesso comercial e de crítica. O jogo vendeu mais de 11 milhões de cópias, tornando-se o jogo mais vendido da franquia até aquela data. A crítica elogiou a narrativa, os personagens, a ambientação e as mecânicas de sobrevivência, embora alguns fãs da série clássica sentissem falta dos puzzles complexos e da exploração de tumbas tradicionais.
A Square Enix e a Crystal Dynamics continuaram a série com Rise of the Tomb Raider (2015) e Shadow of the Tomb Raider (2018), que expandiram a fórmula do reboot com mais exploração de tumbas e mecânicas de sobrevivência aprimoradas. A trilogia do reboot redefiniu Lara Croft para uma nova geração e provou que franquias antigas podem ser reinventadas com sucesso quando há uma visão clara e execução competente.
O reboot também teve um impacto significativo na indústria, demonstrando que jogos femininos podem ser protagonizados por mulheres sem precisar de sexualização excessiva — uma mudança que foi amplamente celebrada na época e que influenciou muitos outros jogos que se seguiram.
Curiosidades sobre o Reboot
- O jogo original foi desenvolvido por uma equipe de mais de 400 pessoas na Crystal Dynamics
- A模型 de Lara Croft no reboot usou mais de 100.000 polígonos, uma evolução enorme em relação aos modelos originais de poucos milhares
- A trilha sonora foi composta por Troels Brun Folmann e contou com vocais inspirados em mitologia japonesa
- O multiplayer do reboot foi desenvolvido por uma equipe separada, a Eidos-Montréal
- O jogo inspirou uma adaptação cinematográfica em 2018, estrelada por Alicia Vikander
O reboot de Tomb Raider mostrou que mesmo as franquias mais estabelecidas podem ser reinventadas quando há uma abordagem corajosa e uma equipe talentosa. Para os fãs do PlayStation 3, o jogo foi um dos títulos definitivos da geração, combinando narrativa envolvente com gameplay satisfatório em uma experiência que ainda vale a pena revisitar hoje.
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