Quem é gamer no Brasil sabe que ser fã de games e hardware importado é caro. Muito caro. O preço de um console novo, de um jogo ou de uma placa de vídeo que chega por viajar chega dobrado ou até mais. Muitos culpam a loja, o distribuidor ou até o vendedor. Mas a verdadeira história por trás desse preço alto tem um nome: imposto de importação. Este não é o lado bonito da moeda, mas é o lado real que todo brasileiro que curte games precisa entender.
O que é o imposto de importação e como ele funciona?
O imposto de importação é um tributo cobrado pelo governo federal brasileiro sobre produtos que vêm de fora do país. Sua finalidade declarada é proteger a indústria nacional, desestimular a importação de bens que poderiam ser produzidos aqui e, claro, arrecadar dinheiro para os cofres públicos. No entanto, para o consumidor final, especialmente no setor de tecnologia e games onde quase tudo é manufacture abroad, isso se traduz em custos adicionais enormes.
Quando um produto é importado, ele passa por uma série de tributação antes de chegar à loja. Além do próprio Imposto de Importação (II), que pode variar entre 0% e 35% dependendo do tipo de merchandise (consoles e jogos geralmente entram na faixa máxima), há também:
- Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS): O imposto estadual mais pesado, que pode chegar a 18% ou mais. Ele é calculado sobre o valor do produto + frete + seguro + próprio imposto de importação.
- PIS e COFINS: Tributos federais sobre importação.
- Taxa de administração do Siscomex e outros emolumentos alfandegários.
Esses impostos são cumulativos. Um console que custa US$ 300 lá fora, por exemplo, pode facilmente triplicar de valor ao somar frete internacional, seguro, imposto de importação e todo o esquema de ICMS/PIS/COFINS ao longo da cadeia até chegar nas prateleiras brasileiras.
O Impacto Direto nos Consoles e Jogos
O caso mais emblemático é o dos consoles de videogame. O PlayStation 3, quando lançado, tinha um preço de lançamento oficial no Brasil que gerava espanto, custando mais de R$ 4.000,00. Enquanto nos Estados Unidos ele era vendido por US$ 399 (a versão de 40GB). Essa diferença brutal não era mero lucro da Sony ou da loja; era o reflexo direto de um complexo esquema fiscal.
O mesmo se aplica aos jogos. Um jogo de PS3 ou Xbox 360 que custa US$ 60 (cerca de R$ 120 na época) no varejo americano, chega ao Brasil com uma capa de preço de R$ 200 a R$ 270. Parte disso é o custo de tradução e distribuição, mas uma fatia significativa vai para impostos. É por isso que o "jogo importado" vendido por viajar acaba saindo mais barato, mesmo com o custo do frete e o risco de ser tributado na alfândega.
Hardware como headsets, controles, cartões de memória e placas de vídeo também sofre com isso. Um headset gamer de marca que custa R$ 500 no Brasil pode ser encontrado por metade do preço em uma loja americana. A diferença? Impostos.
A Outro Lado da Moeda: A Proteção (e sua Ausência)
O governo argumenta que esses altos impostos protegem a indústria nacional. De fato, existem montadoras de PC no Brasil, como a Designer Computadores, que oferecem consultoria, montagem e manutenção de PC Gamer. Essas empresas, que muitas vezes montam máquinas com peças importadas, precisam competir em igualdade com o mercado informal e com a importação direta. O imposto alto para o consumidor deveria, em teoria, tornar os produtos nacionais mais competitivos.
Contudo, o outro lado da moeda é que a maioria dos componentes de alta performance (processadores, placas de vídeo, memórias RAM) não é manufacture here in Brazil. Então, o que temos? Uma situação onde o consumidor paga caro por tudo, e a indústria nacional de games (que aqui se resume mais a distribuição e serviços, não a desenvolvimento em escala) não necessariamente se fortalece. O público simplesmente busca alternativas, como o mercado paralelo, a compra de viagem ou até a desova de hardware usado.
O que os Jogadores Podem Fazer?
Diante desse cenário, o gamer brasileiro se vê em uma posição difícil. Algumas estratégias são comuns:
- Comprar de Viagem: A opção mais popular entre quem tem amigos ou parentes no exterior. Comprar o console ou os jogos lá fora e trazer como bagagem de mão, arriscando uma tributação aleatória no aeroporto (que, mesmo cobrando 50% do excesso sobre a cota de US$ 300, ainda pode sair mais em conta).
- Lojas de Importação Informal: Um mercado que cresce justamente para suprir a necessidade, embora com riscos e sem garantia oficial.
- Aproveitar Promoções e Datas Comemorativas: Lojas autorizadas, como a Sony Store, fazem promoções pontuais que amenizam um pouco o preço, mas não resolvem o problema estrutural.
- Comprar Versões Digitais (PSN, XBL): Para jogos, a compra digital pode, em alguns casos, ser ligeiramente mais barata que a mídia física importada, pois elimina parte dos custos de logística e distribuição física. Contudo, os preços ainda são definidos com a realidade tributária brasileira em mente.
- Optar por Consoles Antigos ou Usados: O mercado de usados, como o Bazar BRX, é forte justamente porque permite acesso a hardware e jogos a preços mais acessíveis, já que os donos anteriores já arcarem com o custo inicial.
Conclusão: Um Problema Sem Solução Fácil
O imposto de importação é, sem dúvida, um dos maiores vilões da popularização dos games de alta performance no Brasil. Ele aumenta o custo de vida do gamer, limita o acesso à tecnologia de ponta e força o consumidor a se virar no mercado paralelo. Enquanto esse esquema fiscal não for revisto – com uma eventual redução de impostos para bens de tecnologia que não possuem equivalentes nacionais de qualidade – o lado "feio" da moeda continuará sendo uma realidade palpável para todos nós que fazemos parte dessa cultura. O Portal BRX continuará trazendo as notícias, reviews e curiosidades, mas esse debate sobre custo e acesso é fundamental para entendermos o mercado em que atuamos.
