RESPOSTA DA SONY AO NATAL

É inevitável, galera. A temporada natalina se aproxima e, com ela, a eterna corrida das empresas de games para garantir a fatia de mercado mais gorda. A Sony, dona da PlayStation 3, não poderia ficar de fora dessa. A pergunta que ecoa nos fóruns e nos corredores da comunidade gamer brasileira é: qual será a resposta da Sony ao Natal de 2009?

Depois de um ano marcado por altos e baixos, com a PS3 finalmente encontrando seu ritmo e a concorrência da Xbox 360 e do Nintendo Wii mais acirrada que nunca, a gigante japonesa precisa acertar na mosca. O mercado brasileiro, em especial, é um campo de batalha crucial, onde o preço é rei e os pacotes promocionais decidem o destino de muitas vendas.

O Contexto: PlayStation 3 em plena maturidade

Em meados de 2009, a PS3 já não era mais aquele console caro e polêmico que chegou ao mercado em 2006. Com o lançamento do modelo Slim mais enxuto e barato, e um catálogo de jogos que já incluía gigantes como Uncharted 2: Among Thieves, Call of Duty: Modern Warfare 2 (em breve) e Assassin's Creed II, a plataforma ganhava credibilidade. A rede PlayStation Network (PSN) crescia com force e assinantes do PlayStation Plus, e o Blu-ray já não era visto como um diferencial distante, mas sim como a nova norma para mídia de alta definição.

No entanto, o preço de entrada continuava sendo o calcanhar de Aquiles. Para o consumidor brasileiro médio, a PS3, mesmo o modelo Slim, representava um investimento considerável. Era preciso oferecer algo mais do que apenas o hardware.

O que esperar da estratégia de Natal da Sony?

Baseado em tendências de mercado e nas jogadas de anos anteriores, podemos traçar alguns caminhos prováveis que a Sony deverá seguir para seduzir os gamer nos próximos meses.

1. Pacotes de Jogo + Console: A Jogada Certeira

O bundle, ou pacote promocional, é a arma principal de qualquer fabricante no Natal. É muito provável que a Sony monte ofertas atrativas, pareando o console com um ou dois dos maiores sucessos da temporada.

  • Pacote com Jogo Estreia: Um pacote contendo o PS3 Slim de 120GB e uma cópia de um blockbuster como Uncharted 2 ou do aguardado Modern Warfare 2 seria uma aposta segura. O valor percebido pelo consumidor seria enorme, pois ele ganharia dois produtos que estão no topo dos desejos.
  • Pacote Essencial (Filme + Jogo): Outra opção inteligente seria incluir, além de um jogo, um Blu-ray de filme popular (como um lançamento da Sony Pictures) para reforçar o diferencial do console como players de mídia. Isso ampliaria o apelo para a família inteira.
  • Pacote com Acessórios: A inclusão de um ou dois controles DualShock 3 extras ou um jogo de multiplayer local (como LittleBigPlanet ou um título esportivo) poderia ser o ponto decisivo para quem quer montar uma setup de jogos em família ou com amigos.

2. Ação de Preço Direto sobre o Hardware

Embora menos provável que um bundle, um corte de preço direto no modelo Slim não pode ser descartado, especialmente na reta final. Se a Microsoft anunciar uma queda agressiva para a Xbox 360, a Sony pode ser forçada a reagir. Qualquer redução, mesmo que simbólica, gera manchetes e pode desbloquear aquele público que estava na dúvida entre as duas plataformas.

3. Fortalecimento da PSN e Serviços

A resposta da Sony não precisa ser apenas física. Fortalecer a proposta de valor digital é crucial. Podemos esperar:

  • Campanhas de Promoções na PSN Store: Ofertas agressivas no catálogo digital de jogos PS3 e PSP. Pacotes de jogos indie, descontos em clássicos e talvez até uma semana de jogos gratuitos para assinantes do PlayStation Plus seriam formas de engajar a base instalada.
  • Conteúdo para o PlayStation Portable (PSP): O Natal é um momento perfeito para relançar o PSP com um novo bundle mais barato, talvez com um jogo popular (God of War: Chains of Olympus ou Gran Turismo) e um cartão de memória maior, mirando no público que busca um console portátil.
  • Eventos e Experiências: A abertura de um "PS3 Experience Store" ou a realização de grandes eventos em shoppings centers de grandes cidades como São Paulo e Rio de Janeiro, com demonstrações dos jogos e possibilidade de jogar online, seria uma forma poderosa de gerar hype e contato direto com o consumidor.

4. Aposta nos Exclusivos e na Comunidade

Natal é tempo de familairidade. Um exclusivo com tema natalino (uma atualização especial de LittleBigPlanet, por exemplo) ou a confirmação de datas de lançamento para os grandes títulos do primeiro semestre de 2010 (como God of War III ou Gran Turismo 5) manteria a comunidade BRX e a geral animada. A Sony precisa lembrar que seus maiores aliados são os gamers apaixonados que fazem o marketing boca a boca.

O Desafio da Execução no Brasil

Tudo isso soa lindo no papel. Porém, a Sony enfrenta desafios únicos no Brasil. Os impostos altíssimos sobre eletrônicos importados fazem com que o preço final do produto chegue ao consumidor com um markup brutal. A logística de distribuição e a confiabilidade do pós-venda também são fatores críticos.

Para que a "resposta" seja eficaz, ela precisa ser traduzida em ofertas com valor real. O pacote precisa ser tão bom que o consumidor sinta que está fazendo um bom negócio, apesar do preço. A parceria com varejistas nacionais para promoções exclusivas e a garantia de estoque são vitais. Nada frustra mais um gamer do que ver uma oferta incrível anunciada, mas não encontrá-la em nenhuma loja.

Pontos-Chave da Resposta da Sony (Resumo)

  • Pacotes Inteligentes: Combinar o console Slim com jogos AAA e/ou Blu-rays de filmes.
  • Promoções Agressivas na PSN: Para engajar a base instalada e mostrar o valor da rede digital.
  • Reforço do Papel do PSP: Como opção de presente mais acessível e portátil.
  • Ação de Preço Combinada: Comunicação clara de valor e garantia de estoque nas lojas brasileiras.
  • Foco na Experiência: Eventos e demonstrações para gerar contato direto com o público.

O Natal de 2009 será um teste de fogo. A Sony tem as ferramentas e o conteúdo. Agora, precisa acertar a pontaria com a execução no mercado brasileiro. A comunidade gamer está de olho, e a resposta precisa ser convincente o suficiente para colocar um PS3 em mais lares brasileiros neste fim de ano. É a hora de transformar a maturidade da plataforma em números de vendas contundentes.